terça-feira, 4 de setembro de 2007

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Projeto de Pesquisa em Jornalismo Investigativo. Fotos de divulgação

Quarenta e Cinco mil Motivos pra Dizer Não ao Preconceito

A nossa sociedade, seja ela brasileira ou sergipana, carrega na sua história muitos motivos para não orgulhar-se de antigos e ainda enraizados, conceitos rígidos e preconceituosos a cerca da opção sexual, posturas e formas de pensamentos, ao qual, a todo instante, nós, mortais ou não, estamos sujeitos a julgamentos pelo olhar crítico do outro.
Falar das diferenças parece ser, falar das indiferenças. E essa mesma “indiferença”, se traduz como uma resposta a não nos sentirmos tocados por nada que não nos afete diretamente. Ou seja... é aquela velha história: “não é comigo”. Balanço os ombros, faço cara de paisagem e saio. E dessa forma as pessoas vão levando as suas vidas. Como se a vida pudesse ser planejada, concebida e escrita como os grandes folhetins, em que tudo no final, acaba bem e que algo condenável só acontece ali, distante de nós e da nossa família.
Só que essa realidade imaginária, esta a cada dia ruindo e esfacelando-se no chão da sala de TV, bem em frente a nós, ou ao nosso lado, quando vemos mundos em guerra, o planeta pedindo socorro e aquelas situações que pensávamos que nunca chegariam a bater a nossa porta, podem sim, chegar até o sofá da sua sala e acomodar-se bem ao nosso lado, com a possibilidade de descobrir, que seu filho pode ser homossexual, igualzinho aquele lá, que nós só víamos nas fantásticas novelas e nos acabávamos de rir, com as formas exageradas e caricatas ou então resumíamos a nossa visão com a palavra, “coitadinho”.
Falar e lidar com as diferenças às vezes parece muito complicado. Mas ignorar e tratar essas diferenças com preconceito é fechar-se num mundo irreal e jogar a chave no marasmo vigente das indiferenças – morada da ignorância. É necessário permitir-se ao exercício diário da tolerância, do respeito ao próximo. E quando tratamos do universo dos gays, me vem ao corpo uma doce sensação de que algo esta sendo feito, de que existe uma força que esta alavancando muitas outras pelo simples poder da atração, da união. Pensar nos homossexuais é fazer uma viagem e perceber como era antes e como se é hoje (mesmo sabendo que ainda temos muito a fazer), com as inúmeras manifestações organizadas pela própria comunidade para dá um basta a discriminação.
É poder levar numa sociedade tradicionalista e conservadora como a de Aracaju, cerca de 45 mil pessoas as ruas, para participarem da sexta edição da Parada GLBT, que aconteceu no domingo, 19 de agosto. Esse número pode parecer tímido, mas ele mostra o quanto os movimentos organizados pelos homossexuais estão valendo e surtindo efeito. O que antes parecia figurar apenas nas telas das TVs dos lares sergipanos, agora ganha as ruas com muita alegria, músicas e mensagens de apoio a causa. Mensagem que podemos ver na cara de cada cidadão que ali estava prestigiando e dando apoio ao evento, que teve como tema: “Homofobia não rima com cidadania”.
E é nesse contexto de lutas contra a intolerância que a imprensa deve se posicionar, apoiando a causa, e registrado nos meios de comunicação, qualquer ação discriminatória que alguém ou um grupo esteja sofrendo. Desempenhando o seu papel fundamental como formador de consciências, pela construção de uma sociedade mais tolerante e parceira das diferenças.
Foto Divulgação