quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ato de um Registro

Ato de um registro


- Uma foto no porta retrato - do - seu - tão... querido amado...
- Perdido, amaciado pelo desejo do que viu no outro...
- Ato perdido...
- Insatisfeito,
- Desejo não compreendido.
- Eu calo, por agora eu grito sufocado.
- Lá do fundo eu sinto - eu chego - eu vejo,
- Você chegar - com saltos altos não está...
- De pé, não parece sair...
- Deitada espero você passar e dizer...
- Olá,,, sou eu... Olá podia ser outra pessoa... Olá...
- Um silêncio cala seu coração...
- eu insisto em dizer...
- Acorde...
- Eu te amo...
- Ainda ouço você bater...
- Chegue e se for fique mudo...
- Prefiro o silêncio...
- De quem ainda vai chegar...
- Presente!

Falsa modéstia

Ai... que desejo...
da líbido alheia,
da vontade contesnarda,
do soluço interrompido,
do orgasmo provocado,
da sensação de dever cumprido...
Ai, que olhar malicioso é esse que me arrepia a intenção,
E me faz agir assim... sem remorso, sem erros, sem atrasos,...
Com gozo da vontade de querer mais,
Você quer mais?
Venha, deite, estenda seu corpo e sinta,...
Feche os olhos e sonhe...
Sonhe...
Isso pode ser real.

Eu sei

Eu sei do encontro do passo com o descompasso,
Eu sei da vontade que tarda, mas não falha,
Eu sei do olhar que se perde,
E se encontra no acaso,
Eu sei da vontade dos lábios machucados,
Eu sei que tudo isso é sabido...
Eu sei que você pode não estar,
aqui, nesse momento,
E que amanhã você pode aparecer com um adeus de lambrança,
Eu sei que tudo não passa desaudade,
Eu sei que a janela pode abrir e me restar apenas o cheiro...
Eu sei.

Ufa

Sentimento que nos aniquila,
Vontade tardia,
Suspiro ancioso,
Coragem despojada,
Uma pausa pra solidão é necessária.

Um novo... O novo...

...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Tempo da Estiagem

A vontade que doi,
O calo que se rompe,
A mão que agarra,
A saliva  que tem sede,
Os lábios que não se encontram...

Ó desejo do vapor,
Ó suspiro da fumaça,
Ò desgraça da falta...
Ó o ridículo da vergonha...

Sede...
Tenho sede...
Uma  palavra... por se só
Um lamento... apenas uma vez...
O desgosto...

Não vale...

É tempo de estiagem...

Muito tempo sem garras

Calo a tua boca em um tom,
Disparo sobre vc apenas um suspiro,
E a cada gota de desejo que sobra,
Derramo em vc o meu amor...

Não te sobra nada,
Perdida, sobrada, cuspida, derramada...

as lágrimas compensam,
a dor,
permanece,
feliz,
teu sorriso,
supri,
necessário,
entristece,
meu coração...

se eu te agarro... eu nao
prefiro o lamento do azul...
sem,
sem,
sem,
tocar teu blues...

Eu retornei

Voltarei, voltarás, voltaremos...
esse espaço é único,
meu, só meu e seu...
quando o anjo quebra a asa...
voaremos juntos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Salte...

Falar de retorno as vezes parece complicado.
Falar de tudo que aconteceu antes dessas primeiras palavras parece ter sabor de alívio.
Alívio... me reconforte em meio a ausência. Salte sem medo.

Retorno após caminhos diversos

Reconquistei o direito de escrever em meu blog... Vamos lá!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A arte de Canché - Memória do Tempo

Amigos,
Eis a arte do meu documentário Canché - Memória do tempo.
Espero que gostem e vejam o filme.
Bjus,
Salmeron. Fábio

sábado, 28 de novembro de 2009

We Can Work It Out

Cinema para mim não é metáfora. É a tradução das diversas formas de se retratar o real. E esse real está em todos os lugares... por mais absurdo que possa parecer. Ele está alí. Nas casas, no inconsciente de cada um. São verdades que ganham uma nova roupagem sob as luzes dos projetores. E por mais que exageradas... estão aqui. Ao seu lado. O cinema, mesmo que de ficção está aí. Olhe e se projete nele. Com certeza você vai perceber que está inserido dentro dele. E ele de alguma forma lhe traduz.
Para mim não vale lamentação. Para mim isso não existe. Lamentação é recorrer ao absurdo do fracasso explicado. Não há explicação. A lamentação é esse absurdo em justificar o ato falho. Então, eu, não lamento. Sigo.
Um amor se esvai na lembrança. As vezes desejo que ela retorne. Não a lembrança. Mas o amor.
Beber as vezes é como confrontar Deus. Mas eu bebo... e o confronto. Sóbrio...
Encontrar no outro o inesperado é soberbo. Despertar no outro o outro... é sóbrio e degustante.
As vezes a culpa me condena. As vezes me condeno pela culpa. Eu choro sabia? Mas... sei que tenho que continuar. A culpa é danada em nos fazer parecer culpados sempre. Que chato andar sempre com uma culpa oculta ao nosso lado. Quando menos esperamos... Ela está lá... Espreitando nosso juizo... condenando nossa lucidez. É culpa da danada da culpa. Sabia?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Muito bom tudo isso, Aguardem meus próximos vídeos. Sorria...

T*rans é destaque no site da Caixa Cultural

CAIXA APRESENTA 14ª MOSTRA INTERNACIONAL DO FILME ETNOGRÁFICO NO RIO Evento terá mais de 100 filmes e promoverá oficinas, debates e fóruns na CAIXA Cultural, Espaço Museu da República e Arte SESC A Mostra Internacional do Filme Etnográfico chega à sua 14ª edição e acontece de 26 de novembro a 4 de dezembro, com exibições gratuitas na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, Espaço Museu da República e Arte Sesc Flamengo. O evento é reconhecido como um dos mais importantes focos de formação e informação do público e de difusão e produção desse gênero de cinema. A abertura será dia 26 de novembro, às 18h30, no Arte SESC, com a exibição de “Mosso Mosso – Jean Rouch comme si...” (França, 1998), de Jean-Andre Fieschi. Na ocasião também haverá o lançamento do 2º Etnodoc, edital que contemplará com financiamento projetos de documentários de até 26 minutos, pela Associação de Amigos do Museu de Folclore (mais detalhes no http://www.etnodoc.org.br/). “A proposta da Mostra de fazer uma conexão singular entre o mundo acadêmico da imagem, de pesquisas e reflexões e o circuito cinematográfico mais amplo mantém-se como mote do festival. Queremos exibir filmes, mas também continuar oferecendo alternativas no campo da formação e do debate”, diz Patricia Monte-Mór, curadora da Mostra, que tem a coordenação do cineasta José Inácio Parente. Foram avaliados mais de 300 filmes inscritos para se chegar à seleção final de filmes e vídeos, que irão revelar como anda a produção de 21 países. A Mostra se destaca no cenário de festivais voltados aos documentários. Além de gratuita, valoriza não só a exibição dos filmes como também o debate e a conexão com trabalhos e pesquisas na área. As alternativas são as oficinas, fóruns e mesas-redondas do Fórum de Cinema e Antropologia e do Projeto Educativo Etnocine. Filmes e programas especiais A riqueza de temas e nacionalidades sempre marcou a Mostra do Filme Etnográfico que, nesta edição, apresentará filmes de Senegal, Irã, Romênia, Argentina, Portugal, Índia entre outros países. A documentarista indiana Saba Dewan, que estará no Brasil durante o evento, apresenta seu “Naach, The dance”, sobre jovens dançarinas que fazem espetáculos para homens – palco e plateia ficam separados por uma cerca de arame farpado – na zona rural de Bihar. Ela é diretora também de “The other song” e “Delhi-Mumbai-Delhi”. Haverá um programa especial da Argentina com quatro vídeos chamado “Documentar(nos)”. O antropólogo Marcelo Alvarez, do Instituto de Antropología e Pensamiento Latinoamericano de Buenos Aires, apresentará a sessão. Panorama nacional De produções brasileiras, a Mostra apresentará 50 produções, entre curtas, médias e longas. São filmes de todas as regiões do Brasil, muitos resultantes de oficinas audiovisuais; realizações de cineastas indígenas e vários antropólogos como diretores de seus filmes. Entre os inéditos, serão exibidos “Trans”, de Fabio Salmeron, sobre travestis e transsexuais baianos; “Alegriatristezaalegria”, de Beatriz Paiva, com moradores do Morro dos Macacos; “Dr. Raiz - etno videoclip”, de Marco Antonio Gonçalves, antropólogo, professor de antropologia do IFCS/UFRJ e autor do livro "O real imaginado: etnografia, cinema e surrealismo em Jean Rouch". Com temas recorrentes na Mostra - comunidades indígenas e quilombos – tem ”Bracuí – Velhas lutas, jovens histórias”, de Paulo Carrano, e “Pio Hoimanazé – A mulher Xavante em sua arte”, de Cristina Floria, além de “Sangradouro”, também inédito, de Divino Tsereuahú, Amandine Goisbault e Tiago Torres (Vídeo nas Aldeias)”. Atividades No Fórum de Cinema e Antropologia – que acontecerá na CAIXA Cultural – há a previsão de uma mesa de debates ”Documentário x filme etnográfico” e uma conversa sobre etnografia e TV, tendo como foco a novela Caminho das Índias. O Projeto educativo Etnocine será realizado pela manhã na CAIXA Cultural com escolas da rede pública, em continuidade à itinerância da Mostra que ocorreu nos meses de setembro e outubro, como prévia do festival. O workshop oferecido pela Mostra será dirigido por Vincent Carelli, o coordenador do “Vídeo nas Aldeias”, projeto sediado em Olinda, Pernambuco. Ele ganhou cinco Kikitos em Gramado com “Corumbiara” (que está na programação) e vai oferecer uma oficina sobre a metodologia do Vídeo nas Aldeias. A entrada é franca, mediante inscrição prévia para seleção pelo site http://www.mostraetnografica.com.br/, onde também pode ser consultada a programação da Mostra. SERVIÇO: 14ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico – Mostra de documentários. Locais: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2 (Av. Almirante Barroso, 25, Centro. Metrô: Estação Carioca) Museu da República (Rua do Catete, 153, Catete); Arte SESC (Rua Marquês de Abrantes, 99, Flamengo). Abertura: Dia 26 de novembro, às 18h30, no Arte SESC. Datas: De 26 de novembro a 4 de dezembro de 2009. Entrada franca. Classificação: Consultar programação Site do evento: http://www.mostraetnografica.com.br/ Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Rio de Janeiro Tel.: (21) 2202 3096 // (21) 2202 3086 E-mail: cultura.rj@caixa.gov.br www.caixa.gov.br/caixacultural 17/11/2009Assessoria de Imprensa da Caixa Econômica Federalwww.caixa.gov.br Notícias da CAIXA por e-mail. Cadastre-se aqui.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Siga na estrada

"Nova postagem." A vida da gente é feita assim... de novas postagens. A cada dia um fato novo. Uma novidade. Uma nova postagem. Parece frio não? Me sinto como algo que deve ser elaborado cuidadosamente e sair novinho em folha. Mas não é assim não. Uma nova postagem é uma nova sensação que nos toma por inteiro. E que agora dividimos infinitamente. O antigo diário guardado com cadeado se foi. E eu agradeço sabia? Nossas histórias devem ser divididas. E eu adoro dividi-las. rs... Olhe a estrada e siga. Isso! Sem medo. Siga mesmo e sem olhar para trás. Siga porra!!!

Lista de Selecionados

SELEÇÃO OFICIAL 14a MOSTRA 200913 de novembro de 2009 Anunciamos a SELEÇÃO OFICIAL. Lamentamos o atraso. Pedimos que entrem em contato urgente para envio de FOTOS, BIOFILMOGRAFIA (80 toques) e CÓPIA DE EXIBIÇÃO: pro.interior@terra.com.br SELEÇÃO OFICIAL 14ª MOSTRA INTERNACIONAL DO FILME ETNOGRÁFICO 2009 55 nacionais: A ARQUITETURA DO CORPO, de Marcos Pimentel A BATIDA DA LUA NOVA, de Riccardo Migliore A CAMBINDA DO CUMBE, de Lucas Barreto A PRIMEIRA LIÇÃO, de Gabriel Alves, Gisele Costa e Vinicius Bock A ROTA DO PESCADO, de Beto Novaes e Cleisson Vidal A VOZ DOS QUILOMBOS, de Lelette Coutto ALEGRIATRISTEZALEGRIA, de Beatriz Paiva APTO 608 COUTINHO DOC., de Beth Formaggini AVÓS: SAUDADES DO QUE NÃO VIVI, de André Paz BALSA BOIEIRA, de Chico Carneiro BATATINHA – POETA DO SAMBA, de Marcelo Rabelo BRACUÍ-VELHAS LUTAS JOVENS HISTÓRIAS, de Paulo Carrano CADA TERRA SEU USO, CADA RODA TEM SEU FUSO, de Neto Borges CAMINHOS DE PEDRA, de Pedro Zimmermann CANOA CAIÇARA, de Luiz Bargamann Netto CARRO DE BOI, de Rudá Andrade CIDADE DOS MASCARADOS, de Emanuela Yglesias CINEMA DE QUEBRADA, de Rose Satiko Gitirana Hikiji CONVERSANDO COM O RIO, de Luciano Santos Dayrell CORUMBIARA, de Vincent Carelli DAMAS, de Mariana Mattos e Luisa Moraes DEPOIS ROLA O MOCOTÓ, de Debora Herszenhut e Jefferson Oliveira (Don) DR. RAIZ: ETNOVIDEOCLIP (CARIRI/LAPA), de Marco Antonio Gonçalves ENCONTRO COM A ANTROPOLOGIA DE PETER FRY, de Helena Bomeny e João Gustavo Monteiro de Barros ESCUTA, GAJON, de Alice Lanari e Dalcivan Alves da Silva ETIENNE SAMAIN, DE UM CAMINHO A OUTRO, de Clarice Peixoto FÁBRICA DE PAPEL, de Abelardo de Carvalho GISÈLE OMINDAREWA, de Clarice Peixoto GUILHERME DE BRITO, de André Sampaio HOMENS, MÁQUINAS E DEUSES, de Eduardo Duwe IBIRI TUA BOCA FALA POR NÓS, de Nilma Teixeira Accioli JOSÉ BEZERRA, AULAZINHA COM MADEIRA, de Malu Viana Batista JUÍZES DE PAZ, de Paulo Augusto Franco MUITO PRAZER, WALTER FIRMO, de Vicente Duque Estrada e Zeka Araújo NAS RODAS DO CHORO, de Milena Sá NEGROS, de Mônica Simões NIWATHIMA, de Eliana Granado O BAQUE DA ZABUMBA CENTENÁRIA CONTRA O TIC-TAC DO TEMPO, de Genaldo Barros O GLORIOSO – SÃO SEBASTIÃO DE CACHOEIRA DO ARARI, de Gavin Andrews OS OLHOS D’ÁGUA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO, de Pedro de Castro Guimarães OUTDOOR DREAMS, de Mariana Fagundes Azevedo OUTRA CIDADE, de Coraci Ruiz OUTRAS MARGENS, de Felipe Scapino PIÕ HOIMANAZÉ - A MULHER XAVANTE EM SUA ARTE, de Cristina Flória PRÉ-SOCRÁTICOS X ÍNDIGENAS, de Jorge Bodanzky PROMESSA PANKARARU, de Marcos Alexandre dos Santos Albuquerque e Maria das Dores Conceição Pereira ROCK EM WONDERLAND, de Bruno Kemp SANGRADOURO, Divino Tserewahú, Amandine Goisbault, Tiago Campos Torres SUBPAPÉIS, de Luiz Eduardo Jorge TAINÁ-KAN, A GRANDE ESTRÊLA, de Adriana Figueiredo TEBEI, de Gustavo Vilar, Hamilton Costa Filho, Paloma Granjeiro e Pedro Rampazzo TIAS BAIANAS PAULISTAS, de Eduardo Piagge, Gustavo Mello e Luiz Ferraz TRANS, de Fabio Salmeron UM LUGAR AO SOL, de Gabriel Mascaro XUKURU ORORUBÁ, de Marcilia Barros
Queridos amigos, Eu sei que há torcida. E sei que cada um, de onde estiverem, são fortes o suficiente para lançar vibrações positivas a cada email meu que recebem, relatando as minhas andanças e experiências com o audiovisual, seja ele com documentários ou com vídeos de ficção. Mais uma vez volto a atrailos à atenção sobre algo que produzí, e que agora, surte efeito dentro do que venho buscando para minhas produções com cinema. O primeiro documentário que produzí, T*rans, foi selecioado para uma das mais importantes Mostras de cinema documentário nacional e internacional que ocorre aqui no nosso país tropical. É a 14 Mostra Internacional do Filme Etnográfico. Um significativo evento que discute as produções nacionais e internacionais dentro da ótica etnográfica. Meu filme foi selecionado entre mais de 300 inscritos de todo o Brasil. Ele está entre os 55 selecionados e irá participar de 26 de novembro a 04 de dezembro na cidade do Rio de janeiro da mostra dessa importante exibição documental. Muitos irão conhecê-lo. Viva. Obrigado. Meus sonhos estão sendo atendidos um a um. E o cinema que parecia distante, agora se mostra cada vez mais e mais, fazendo parte da minha vida. Acessem o site da mostra e vibrem junto comigo. http://www.mostraetnografica.com.br/ Beijos, Fábio Salmeron

domingo, 25 de outubro de 2009

Canché - Memória do Tempo

Personas,
Finalizei mais um documentário. Ufá!
O Doc ficou do jeito que imaginei. Claro que muitas coisas me surpreenderam ao longo do processo de decupagem, montagem e edição final. Mas o resultado ficou justo aos senhores e senhoras que gentilmente cederam as suas histórias, suas lembranças, resgatando no tempo fatos da vida de cada um.
O amor pela terra querida está implícito na tela. Em cada cena. Em diversos momentos do documentário que tem 26 minutos. Era justamente o que eu desejava. Mostrar o amor de pessoas esquecidas, em um lugar idém e que mesmo assim declaram a verdadeira emoção em estar e ou permanecer na terra que serviu de história para suas vidas.
"Canché - memória do Tempo", fala disso. Justamente disso. De que para sermos felizes nos basta apenas a certeza de estarmos onde desejamos estar e que mesmo assim, as raizes permanecem vivas, mesmo que esse lugar seja algo chamado Canché, nome indígena que significa passagem, um distrito perdido no tempo e que esqueceram de figurá-lo no mapa.
Agora vocês conhecem Canché.
rs...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"A Morte" passou para a mostra

Amigos,
A morte passou a perna em vários concorrentes e garantiu uma vaga entre os 50 selecionados, em meio a 242 inscritos de todo o país. Estamos no Festival do 5 Minutos. Concorrendo. Isso é muito bacana.
Mas para mim, pessoalmente, já é uma vitória. Estar na Mostra revela que fizemos algo no nível do Festival. Poder ser exibido em uma tela grande e várias pessoas assistindo é uma satisfação sem limites. Ainda mais diante de toda a história desse curta. Feito exclusivamente em 2 dias, com uma câmera MiniDv e gastando 30 reais.
Conseguimos um resultado artístico e ousado. Agradeço aos amigos Adriana Cohim, Dimitri Sarmento e Riad Awad por toparem o convite para interpretarem os personagens. Eles particularmente arrasaram!
"A Morte me Passou a Perna" é instigante, inovador, avassalador e reflexivo. Artístico e experimental.
Se programem para assistirem na mostra e votem nele. O voto do público é fundamental.
Em breve divulgo mais novidades cinematográficas.
Beijos,
Fábio Salmeron

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Itaú Cultural / continuum / Leitores conectados

Itaú Cultural / continuum / Leitores conectados Galera mandei um texto meu para o Itaú Cultural e ele foi selecionado e publicado no site da instituição. Basta acessar o ink acima e viajar pela conectividade que nos invade e estamos imersos. Boa leitura. Se preferir confira o texto aqui. O som que vem de dentro por Fábio salmeron Ao caminhar pelas ruas de uma cidade confusa com seus carros barulhentos e cheios de fumaça, pessoas correndo de um lado para o outro apressadas, e um terrível clima frio e desesperador, percebo ao longe, em meio a toda essa loucura urbana, típica de cidades cosmopolitas, um som que rompe com todo o ruído descartável e se aproxima dos meus ouvidos feito uma leve pluma, que dançando no ar, recai sobre mim. Era algo lento e penetrante. Uma canção! Uma música que parecia soprada pelo vento e que me instigava a imaginação. De onde ela vem? E como consegue manter-se limpa em meio a toda a sujeira que tem que desviar para chegar pura até mim? É intrigante. Começo a andar mais rápido do que os transeuntes ao meu lado. De repente percebo que estou correndo feito um cachorro faminto em pleno caruru de Cosme e Damião. Desvio de um... desvio de outros... desvio de uma multidão que emparelhada atravessa o sinal. Rompo com a barreira e corro ainda mais. Agora não mais parecendo um cão, e sim um folião atrasado e esbaforido, que acaba de entrar no sambódromo e sua escola favorita já aponta na metade da avenida. Imaginem meu desespero! Preciso saber de onde vem aquela música, que a essa altura já estava se tornando maldita. Torturante, ela continua a penetrar pelos meus ouvidos e cada vez mais clara e... Espere... Eu reconheço essa voz. Eu na verdade adoro essa voz. É ela. Mas como ela chegou até aqui. E no meio dessa confusão toda. Acho que estou chegando mais perto. Isso! A música esta mais alta. Isso... É ela mesma! Continuo a correr, pois tenho a certeza que descobrirei. Avanço meu passo e quase como um maratonista atravesso um sinal aberto e esbarro num grupo enfadonho de adolescentes risonhas com seus cadernos nas mãos. O que é isso? Cadê a música? Que silêncio é esse? Fico meio atordoado e ouço baixinho uma voz que silencia a canção. Fico em estado de choque quando percebo dedos batendo nas minhas costas. Senhor, senhor, senhor! Sua hora acabou. Seu tempo chegou ao fim. Já tem uma pessoa aqui esperando. Olho lentamente para o lado e retiro o fone ainda meio atordoado. Homeopaticamente as vistas vão clareando e vejo uma garota... cadernos nas mãos, sorriso largo, batom desbotado, dentes recheados de aparelhos brilhantes. Ela espera que eu saia, que eu ceda gentilmente o meu lugar. Atordoado levanto cambaleante e vejo escrito na blusa da odiável mulher que arrancou a canção de dentro de mim: VOLTE SEMPRE.
Ilustração de Wilson Inácio

sábado, 12 de setembro de 2009

Muitos planos

Meus planos são muitos. Quando digo muitos, falo de intensidade focada. E não de muitos que se perdem em meio a poeira das palavras que soletramos sem a tal intensidade. Meus planos não são em hipótese alguma isolados. Eles são em conjunto. Eles agregam muitos que se movimentam por entre os meus sonhos e sorrisos. Todos que me cercam. Me seguem e me abraçam. Não conseguiria viver com planos apenas para mim. Venha você e deleite-se com meus planos que agora são seus planos também. Faça uso deles e construa também seus próprios planos. Planejaremos juntos... E seguiremos.

Foto impressão

Fotos que valem a pena ver... Todas estas fotos foram tiradas no dia da filmagem... para divulgação... para recordação... para mostrar o quanto podemos intuitivamente e conscientemente, sabendo o que desejamos imprimir no filme para que permenecesse do jeito que imaginamos. As fotos revelam a intimidade de uma história. De vidas. De depoimentos sofridos, de pessoas que vivem o limite e passam por ele para nos contar sua verdade. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Mas é ficção. Agradeço aos aspirantes a atores que toparam essa viagem comigo e interpretaram como excelentes profissionais. Valeu Adri, Ri e Dimi. Por acreditarem.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Morte Me Passou a Perna na estrada

Gente...
Nosso curta metragem filmado em um único plano sequência em apenas dois dias ja está na estrada. A experiência foi super bacana e o resultado ficou bem interessante. Em breve vou postar no blog para que todos possam assistir.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Filmamos a morte

Gente! Finalizamos o curta-metragem, "A morte me passou a perna."
Na postagem anterior, coloquei fotos das provas na locação. Testamos os adereços, a cenografia e a luz para que ficasse de acordo com o roteiro e principalmente porque se tratava de um plano sequência. E fazer um plano sequência não é nada muito fácil. Tudo precisava estar no devido lugar para que a filmagem seguisse o curso da história.
Só de objetos de composição do local onde se passa a história eram mais de 200, entre santos, bonecas, imagens, panos e livros, sem contar a luz projetada e pensada artísticamente para cada cena. A locação perfeita foi o especial ateliêr do artísta plástico Iuri Sarmento.
O resultado foi um vídeo que se diferencia em ousar em um plano sequência de cinco minutos e que trata de um assunto super delicado como a morte e principalmente a superação da morte, de um ato de desespero. O vídeo é um alerta para a valorização da vida.
Em cada um dos três depoimentos, interpretados por não atores (era importante que não fossem atores) , é colocada uma situação diferente, de vidas diferentes e de pessoas diferentes. O cenário foi artísticamente idealizado para agregar os personagens. A luz cada uma em cores diferentes apresenta os personagens. A música é a "Sonata do Luar" de Beethoven modificada especificamente para o vídeo. Pensei em uma música clássica mas que pudesse adaptar para algo diferente. Principalmente quando a música é bastante conhecida (o que foi nosso caso propositadamente) e o resultado ficou extremamente com o que eu pensei.
Enfim... Ficou pronto e eu gostei bastante.
Vejam as fotos e depois vocês poderão assitir. Falei depois...
Fotos: Dimitri Sarmento e Fábio Salmeron

sábado, 22 de agosto de 2009

A Morte me Passou a Perna

A morte me passou a perna
Um curta de cinco minutos com aspas de doc. Pretencioso ele invade o imaginário confuso e dialético alheio. Relatos do fundo do buraco. De pessoas que perderam a lucidez e se jogaram na loucura por desaparecer. Relatos que brotam do mundo. Do lugar comum. Do desejo de sumir. Quem nunca sentiu uma sensação estranha dentro de si? Sensação esta que provoca os mais estranhos sentimentos. Algumas pessoas sem mentir se jogam nesse poço de escuridão. E se não vão. Acordam com uma estranha e indelicada consciência do perdão. Agora eles podem fazer diferente. agora eles puderam conhecer o outro lado de uma história que parecia não ter mais nenhum sentido. Veja, escute e não façam a mesma coisa.
Hoje, dia 21 e a madrugada do dia 22 de agosto, 3h55, eu e meu parceiro de transações cinematográficas Dimitri ,testamos a luz, a arte, o cenário e o som na produção do curta metragem "A morte me passou a perna." Um curta de cinco minutos, filmado em uma única sequência, totalmente sem corte, sem edição de nada. Filmado no cuspe mesmo. Coisa complicada de fazer. Ainda mais quando trabalhamos com atores que não são profissionais. Mas que tem emoção para passar. Daí vem uma intevenção do gênero documentário. A locação é um sotão atelier no Santo Antônio. O lugar perfeito para o ambiente do filme. A luz projetada e pensada para criar toda a atmosfera que configura o filme. O universo louco, insano e verdadeiro daqueles que decidem tomar a difícil decisão de abrir mão da vida e a morte ao invez de acolher, lhe passou a perna. São relatos de situações que podem e acontecem com todos que de uma forma ou de outra, não se encaixam, não se enquadram, dentro do formato que é apresentado para seus olhos.
Gostem... ou não. Você já pensou assim. Sorte ainda estar aqui.
Fotos: Dimitri Sarmento
Ah!!! As fotos não tem efeito a não ser o olhar de quem captou e o ambiente que artísticamente se configurou.

sábado, 8 de agosto de 2009

Mais uma taça

Caramba... como é difícil cantar uma canção, que você gosta, e ter que ser, estar afinado. // Posso cantar dentro dos desafinos que minha voz me permite ser?// Caramba mais uma vez - manifesta a minha frustração em ter que permanecer calado em meio as palavras que penetram pelos meus ouvidos e me tornam mudo// Mudo permaneço calado e calado permaneço.// Me deixe assoviar sem afinações.// Errar sem ter que pedir perdão.// Gostar sem ter que me arrastar.// Como diz Vanessa, Amado, sempre será motivo de canção.// Mesmo que esse tal alguém não seja seu.// Cante... Vibre... Brilhe...// Desabafo de uma noite, de uma taça que não deixo jamais secar.// É assim amada... Taça cheia.

O ser que há em mim sou eu

O ser que há em mim sou eu// No tempo gasto o próprio tempo// E tento reinventar no tempo, meu próprio alívio// Ver, percerber e tentar viver sem ter que ser o ser que o outro imagina você ser // Sou meu próprio ser e apenas em ser // Sou o eu que me queima a pele e me faz perceber// que é preciso ser, para ser, ainda que todos digam não// O ser que você quer e deseja ser.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lamento do pó

Lamento do pó é um sopro. Entre espirros e reclames as palavras reverberam no tempo. Entre um sopro e o assovio as lamentações e os desejos tomam forma e se transformam em palavras. Lamento será além das palavras uma experiência de vídeo-arte. Em breve tomará os seus olhares. Com vocês o texto... Lamento do Pó Ato I Recostada à parede gasta Cada movimento em sombra se projeta na parede que marca Olhar para ela é lembrar-se do passado que ficou Impregnado na parede que lasca De pedaço em pedaço meu coração se dilacera Empurrado pela parede mágica Minhas lembranças saltam do meu corpo e arrancam suspiros pífios de dentro de mim Arranca-me parede muda, salta sobre mim e me deixe passar tranqüila Sou mais um pedaço daquele tijolo que despencou lá do alto, do alto da parede, que existe dentro de mim. Ato II Fragmentos de poeira sobre meu cabelo Nesse pó vejo minha vida passar inteira Cada retrato moldado com o tempo Marcado sobre a moldura que se alojou dentro de mim Olho para cada detalhe e vejo o quanto que ficou estagnado no tempo, De tempo em tempo removo os quadros e me vejo de novo limpa no tempo Ao final o quadro torto caiu... Colocaram outro em meu lugar. Ato III Amor, amor, amor Deixe-me invadir por mais uma vez o pouco que restou ainda dentro de ti Recolho a poeira do tempo Encostada pela parede gasta E tento reencontrar você Liberto o mais puro amor que um dia adormeceu dentro do meu coração Este meu eterno calabouço Minha eterna lamentação Ainda me resta um único suspiro Talvez para lhe dizer que cheguei Talvez para lhe ouvir dizer que o adeus enfim chegou. Contínuo esquecida no chão

domingo, 2 de agosto de 2009

Canché: Memória do tempo

Voltar a Canché. Após longos anos.
Décadas de silêncio das lembranças. De memórias perdidas no tempo. Voltar a Canché é poder retornar o tempo e fazer valer a história. A mesma e única rua, a igrejinha onde me batizei e casei ainda é a mesma. A casa em que nasci e me criei contínua lá. Tudo parece intocado pelo tempo. Tudo parece ter paralisado em meio aos dias. Que saudade daquele tempo em que ser criança era jorgar-se na areia farta, dar as mãos e brincar de roda, esconder-se com olhos aflitos e quando pegos caíamos em gargalhadas. Voltar a Canché é um reencontro comigo mesmo. É um recomeço e uma empolgação. Rever as pessoas que ficaram por lá. Naquela simples e singela vila entre as cidades de Jeremoabo e Canudos. Canché tem sua história e minha história é a história de canché.
O documentário Canché: Memória do tempo é um filme que fala de lembranças, dos sentimentos que nos envolvem motivados pelo que carregamos ao longo das nossas vidas. É um filme de reencontro de um tempo guardado na memória. Ao mesmo tempo o filme revela o quanto uma vida aparentemente sem importância e ausente de elementos de atração pode ser revelada como prazerosa e necessária. Porque simplesmente temos a vida que escolhemos. É um filme otimista e reflexivo, quando nos coloca frente a frente, com nossas próprias exigências e padrão do que uma vida tem que ter para ser em si o tempo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Três

Vai-te desejo insolente. Contamina-se com sua própria vontade... Pérfida. Percorre os caminhos da lamúria e ao final encontre de cara a solidão; Duelo de gigantes. Tenores da tragédia que se anuncia. Recolhe tuas lágrimas e sufoque teus desejos inúteis. As palavras. Os sorrisos. Os beijos um dia imaginados. Nunca mais voltarão a brilhar.

Dois

Venha áspera... Perpetue. Para onde deseja me conduzir. Venha minha doce lembrança e afugente o fantasma que tenta me contaminar com sua fúria voraz. Seduza-me com sua delicadeza e me despreze ao final. Sei que me tomas por inteiro e me deixa ao relento frio e vazio. Suporto tua dor. Suporto tua ausência. Suporto o suportável. Nessa lástima que se alimenta das minhas lembranças. Permito que como pragas se apoderem da vontade e engula o desejo. Prefiro não senti-los. Prefiro exorcizar de dentro de mim. Assim pareço poder ir. Sem rumo, sem perdão, sem memória, sem pegadas. Deixe-me ir...

Um

É um louco. Um louco pervertido pela sua própria fúria. Um animal incandescente que flui sobre a sua própria personalidade. Ele esbraveja, contamina o ambiente com sua lástima. Feros instiga os mais íntimos dos sentimentos. Os coloca a prova e os desafia. Uma dor rompe no peito de quem se torna vítima da insensatez. As palavras soltas aos ventos perpetuam pesadas no ar. Um silêncio se mostra sensato. Uma pausa se manifesta apropriada. Uma lágrima deseja escorrer. Segura, segura... E ela não escorre. Silenciosa ela corta a alma e faz descer uma dor que escorre pelo corpo todo. Deixe-me chorar em paz. Deixe-me esbravejar em silêncio. Deixe-me silenciar em meio à turbulência. Deixe-me só. Deixe-me adormecer em meio à lamúria. Em meio à desobediência dos desejos. Em meio à solidão. Tento me encontrar. Deparar-me e superar. Desolar-me em frio profundo. Sou uma palavra sem sentido. Uma nota em descompasso. Uma dor que me faz calar. Sou a própria dor ao relento.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

T*rans 5 minutos

O documentário T*rans na sua versão original de 40 minutos ganhou uma nova edição em cinco minutos. O doc T*rans 5´´, traça um breve perfil do material analisado no seu formato integral. Serve também como um precioso aperitivo do que o documentário na sua versão original trata e discute. No complicado e paciente trabalho de decupagem de um material de 40 minutos, dei prioridade a momentos, falas que resumissem e possibilitassem um olhar sobre a realidade tratada com o mesmo cuidado e delicadesa que é apresentado no T*rans original.

O T*rans 5´´ aguça a curiosidade para um grupo social tão discriminado a que vive sufocado por preconceitos e julgamentos hóstis. Quem ainda não viu T*rans no seu formato original poderá com o T*rans 5´´ sentir-se atraído para assitir o material na sua totalidade. Fiquem a vontade para solicitar o´documentario completo.

Aguardo os comentários...

Salmeron

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Uma passagem amor

Te dou passagem meu amor para que vá. Te dou meu lamento para que guarde só para ti. Vai meu amor. Te deixo ir sem que precise olhar para traz. Siga na passagem e encontre seu verdadeiro amor. Te deixo que vá para ser mais de uma vez feliz. Não te guardo rancor. Apenas amor para deixá-la partir... E beijar, sem mais amor, o amor, que guardei e dediquei para ti.

Pardal na torre

Acolhimento no refúgio. A proteção por detrás das pedras. Armadas uma a uma. Em proteção. Empilhadas umas sobre as outras. Quem me dera ter uma proteção assim. Mirar o horizonte sem que ninguém me perceba. Um eterno voyeur do tempo. Tempo bom... tempo ruim. Turbulências que assolam o medo. E no soar do vento que se alfineta por entre as frestas ouso o som de uma voz forte que ecoa. Estou ouvindo o lamentar de Edith Piaf. Doce eterno pardal. Voa pardal. Extrapole os horizontes e me traga de volta o canto esquecido. Voa alto pardal e na luz do farol se guie para não mergulhar nas águas profundas do imaginário. Ainda me guio pelo seu rastro de luz.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pele e pólvora

Um cigarro que ascendo e solto na baforada toda a minha revolta. São em baforadas que despejo no mundo o que não me agrada. Respirem agora a minha intransigência. A minha rispidez se traduz em palavras de desordem. Vamos romper com os olhos fechados de vergonha à miséria dos outros que acham agir com esperteza. Sintam na minha nicotina a alegria de poder fazer o que desejar. Na esbornia da vida rolo no chão e separo a poeira do meu corpo. Ela não me contamina. Estou em pé mais uma vez e sigo... Tranquilo... cambaleante... com sorriso nos lábios... Ouvindo Joy Division soar alto nos meus alto-falantes conduzo meu corpo ao encontro do ébrio que me chama... que se instala em mim. Sou pele e pólvora que ao menor toque explode em migalhas de sonhos e ferveções. Sou assim.... Me ascenda mais um cigarro.

"Do cheiro nasceu o desejo." Meu próximo Doc.

Cheiro de mistura no ar. Penduricalhos loucos para serem arrancados e levados para casa. Degustar o que os olhos enxergam. Os sentidos se exaltam a cada passo. Saliva que brota da boca e dá gosto engolir. Balcões que são verdadeiros banquetes e nos fazem pensar: porque tanta fome logo alí na esquina? Não há pressa em sair. Não há vontade que suplante a tanta fartura. Pode pegar, pagar e levar. Vale a pechincha para deixar o clima mais pitoresco. Aquele cheiro de feijão está me convidando para sentar. Traga uma cervejinha aí e vamos papear.

domingo, 31 de maio de 2009

Exposição On Line

Convergência de mídia é poder integrar várias formas de arte em um único equipamento. A exposição de fotos que virou áudio-visual com narração explicativa do trabalho realizado.

T*rans na estrada

É bom saber que algo que criamos vem agradando a tantas pessoas. Diversas e cada uma com seus saberes, limitações e conceitos. O doc T*rans está conseguindo congregar em torno de si vários pontos de vista. Ele está conseguindo fazer com que as pessoas reflitam em torno do tema e questionem seu próprio pré-conceito e postura diante dessas pessoas tão discriminadas. Isso é muito bom. É a sensação do dever cumprido. Para mim fazer filmes é poder contribuir com meu olhar e sensibilidade, para que alguma mudança surja, após todos os olhares que se debruçaram sobre a minha arte. Estou falando tudo isso porque recebi um telefone da presidente da ATRAS, Milena Passos, que envolta por uma voz de êxtase e choro, me relatou o quanto o vídeo foi fiel a realidade da comunidade das Trans como um todo. O quanto ela ficou emocionada com a forma sútil e delicada com que tratei o tema. Sem distorções. Ainda ao telefone Milena eufórica me confessou que estava em Teresina e que o vídeo foi exibido lá, numa espécia de encontro das travestis de todo o país e que a comoção foi geral. Eu do lado de cá da minha sacada só tenho a agradecer a elas por terem sido tão verdadeiras e por terem confiado em mim suas dores e alegrias, sonhos e desejos. Ah! O doc já estás nas cidades de Aracaju, Brasília, Curitiba e uma outra que agora não me vem na memória. Façam bom proveito dele.

T*rans - Abertura

Está é a abertura do doc T*rans. Ela foi feita toda em preto e branco, utilizando imagens captadas em uma MiniDV. O modo utilizado foi o poético - possibilitando uma estética atraente e que sintetisasse a idéia original do filme. As locações foram pontos em que as trans vivem como a Av. Sete, Praça da Piedade, Rua Chile, Carlos Gomes, orla da Pituba. Ruas escuras, esquinas e igrejas fazem parte da concepção artística. A carro que passeia pela cidade nos remete a busca - alguém que segue sem rumo, sem objetivo ou alguém a procura de uma travesti. É o olhar da sociedade que conduz aquele carro. O túnel serve como elemento de interseção entre a realidade da noite, da busca por algo, por alguém e a realidade das trans. A música é uma composição do maestro Zeca Freitas. A interpretação é da cantora baiana Lia Chaves. A música se chama Ella.

O contorno da Santa

A santa e seu contorno. Em preto e branco a santa se projeta. Iluminando o breu e clareando o desconhecido. A santa em pé se projeta numa moldura criada pelo tempo.

A sombra da santa

A santa faz sombra. A luz projeta seus contornos e grava na parede branca sua essência. A santa se faz presente na sombra pintada.

Hotel Pálace

Como o tempo se confunde. O atual e o antigo se distanciam porque são opostos. São díspares que caminham lado a lado. O velho hotel observa o tempo passar e no vai e vem o novo surge a cada dia. O hotel Pálace contínua lá. O ônibus com certeza irá virar sucata. Sucata que cede espaço para que outros cheguém e mirem o hotel. Nesse eterno vai e vem ninguém é ninguém.

Poesia do tempo

Mirando o mar ele deixa o tempo passar. Como se embalado pelo som quem vem das ondas, que nas pedras estraçalham em pingos d´água. Ele sopra junto com o vento a poesia do tempo. Das ferrugens, das batalhas que passou ele permanece mudo, quieto. Fala canhão e solta teu fogo sobre os mares. Rebusque a paisagem com pólvora e boooom.

Hotel São Bento

Hotel São Bento. O tempo é cruel. O esquecimento pior ainda. Imponente ele se faz presente. Ei... estou aqui. Olhem para mim. Um hotel hoje esquecido, abandonado. Quantas histórias ele não reserva? Quantas pessoas passaram, entraram e foram embora. O hotel badalado de antes agora cala diante dos olhos que não o admiram mais. Cruel esses olhos não?

Nostálgia e solidão

Uma árvore solitária. Me desprenda raízes da terra e me deixem seguir mar adentro. Como aquele návio a cruzar os mares. Sou nuvém cinza a espera de chuva. Sou baía tranquila a espera de ondas gigantes. Sou sombra de um sol que se esconde. Sou baloustrada desgastada pelo tempo. Sou nostalgia e solidão a espera de casais apaixonados. Encostem em mim.

Igreja ao fundo

Quero me encher de poesia e fazer trilhar no tempo o descompasso, para que preserve, para que se vendo ao fundo me represente e diga que há crença no fim da rua. Maltratada as pedras nos apresentam o caminho e o fim parece ser o início. Um registro no tempo para que ele não se apague e se perca no encontro com o desafeto. A poesia da arte da fotografia está justamente em poder eternizar o que agora a pouco o homem se fez apagar. Das calçadas molhadas do pelourinho, com pessoas traseuntes que trafegam sabendo para onde querem ir. A foto revela a tristeza que carrega em um dia cinza numa tarde chuvosa, onde o tempo parece parar. A igreja ao fundo revela o quanto de nós existe no caminho que nos leva e nos conduz a religiosidade. A igreja ao fundo desperta o tempo e lhe diz: Eu ainda estou aqui. Amém.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cartaz Arte

Um delicioso passeio pelos mestres que faziam de simples cartazes, verdadeiras artes.